a palavra atinge o cerne da carne?
Escrito por mario cezar às 13h55
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as horas fugidias - para onde é que voaram? goethe
pendenga literária no dia 22, o caderno "mais" da folha de são paulo, publicou uma enquete com intelectuais, destrinchando que machado de assis supera guimaraes rosa , sem dúvida, gigantes. ora, em meus ossos circundam preferências: graciliano ramos.
cinema é, esmagado de espanto, que continuo diante de ingmar bergman. ontem vi: "juventude" e "sonho de mulheres" e ternontonte, em gozo-deslumbre, glauber rocha vociferou. luminoso e profético. vi: " o dragão da maldade contra o santo guerreiro"
psicanálise. minha concertina. facão de alumiar. estou debruçado (e roído) sobre : além do princípio do prazer ,1920. o inconsciente,1915 e esboço de psicanálise, 1938. livros do homem que apontou os desconjuros. que disse o quanto somos abestados.
Escrito por mario cezar às 12h12
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o cinema de ingmar bergman é o abismo. desconjuro nosso de cada dia. nenhum sermão alcança. hoje espiei, "gritos e sussurros", "o olho do diabo" e "mônica e o desejo" :
meu amor não me protege de nada. nenhum castigo é duro demais para quem ama
Escrito por mario cezar às 21h27
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diante de contendas literárias:
no dia do juizo, isso não vale um peido
goethe
Escrito por mario cezar às 15h20
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narcisismo
esfolou o pau com a própria ilusão
Escrito por mario cezar às 19h22
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d"o mal radical em freud".*
na verdade, o objeto procurado não é aquele que encontramos. o que encontramos é um efeito ilusório de nossa procura. a função do objeto encontrado é preencher o vazio do objeto procurado, sem jamais conseguí-lo. enquanto presença ilusória, ele não possibilita a satisfação plena.
garcia-roza
Escrito por mario cezar às 19h53
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joão cabral
o amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. o amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. o amor comeu meus cartões de visita. o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. o amor comeu minhas roupas, meus lenços , minhas camisas. o amor comeu metros e metros de gravatas. o amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. o amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. o amor comeu minha paz e minha guerra. meu dia e minha noite. meu inverno e meu verão. comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte
Escrito por mario cezar às 23h30
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cajado de fogo
o dragão da maldade contra o santo guerreiro, glauber rocha (melhor direção em cannes,1969) restaurado. antônio das mortes retorna, assombrado; fuzuê, é ouvir quinteto armorial ou arrasto para a alma, estilhaçada. antes do sol poente, sob as brasas do vinho, led zeppelin, since i've been loving you , gallows pole; bugaris, ingrid bergman, ava gardner, ginger rogers, marilyn monroe, meu olho surta, descega; graciliano ramos, reler "infância" e "angústia" é saber de auroras silábicas; freud é minha grande descoberta. a macheza é reboco ferido. escondido, feito jararaca voraz.
Escrito por mario cezar às 12h29
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estocada
os seios,túmidos, pedindo o batismo do macho, o estigma da boca,sem piedade. grunhir a noite inteira, úmida e sem cabaço(prega preguenta). desforrar a castidade,sonho antigo
Escrito por mario cezar às 00h01
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ingmar bergman ou roteiro de almas penadas
o olho é uma paisagem dilacerada. a carne padece. como atravessar o abismo? bergman disseca os podres. a mortagem dos ossos. a alma é labirinto e nenhum sermão alcança.quem escapa? bergman,tradutor do avesso e do desconjuro nosso de cada dia
do gênio, assisti: o sétimo selo, 1956 morangos silvestres, 1957 persona, a fonte da donzela,1959 "não sei como recuperar a paz sozinho" trilogia do silêncio através de um espelho, 1961/62 luz de inverno, 1961/62 o silêncio, 1962
Escrito por mario cezar às 19h51
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para uma noite (quase líquida) de maio
beatriz peregrina com as abelhas. é cúmplice da estrela, clandestina.
filmes no pé da estante, obras de salvação. indagação da luz. é armar a rede no centro da sala, e: "luz de inverno","atrás de um espelho" ingmar bergman."um cão andaluz","a idade do ouro" luis buñel;
discos para instigar a goela. obras atrevidas. crôa de dores ou inteira claridade. alando-se. grunhindo: "berro" ednardo (1976) e "orós" de fagner (1977);
vinho terrazas de los andes(2001) utopia reaver o antigo beijo
Escrito por mario cezar às 20h17
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lonjura
a palavra alcança o avesso da carne ?
Escrito por mario cezar às 18h23
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o poeta trama a verdade ?
o vento,sobre o capim; o nó da madeira;o ronco da chuva, tem caracteres inalcançáveis.
Escrito por mario cezar às 11h26
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Freud
explica
Escrito por mario cezar às 10h35
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" um poema não se termina, abandona-se em desespero "
Escrito por mario cezar às 01h23
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