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o olho queria cutucar os confins do mundo . não tinha cabimento esfolar os pés no beco da província . o coração desbotado pedia um rosário de esperanças para banir os tipos de infâmia. queria partir. estraçalhar a indigestão das lágrimas. receber o assopro de plantações distantes. na pequena icó não cabia o amanhecido perfume das cacimbas. o vôo da rolinha fogopagô, a infãncia das hortelãs o sereno da noite
Escrito por mario cezar às 16h25
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vôo onde ninguém mais - e capturo a presa em pleno escuro. orides fontela
desde minha fuga, era calando minha revolta, tinha contundência o meu silêncio , tinha textura a minha raiva, que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda....não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não impotava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juizo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso desprovido de qualquer dúvida lavoura arcaica- raduan nassar
Escrito por mario cezar às 19h55
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o mistério do samba
um repente de alegria. digo. ontem espiei o filme produzido por marisa monte. é o modo de quem alastra o império tristonho do morro,é o mormaço do samba descendo as ladeiras. a presença de zeca pagodinho, paulinho da viola, marisa monte, monarco, jair do cavaquinho, argemiro e do excepcional enredo de pés e quadris femininos .frases antológicas, como a de argemiro: o pior castigo é o desprezo ou a pior solidão é chegar em casa e não ter mulher com quem brigar . a cena em que o almoço, no barracão da portela, desce na corda, enquanto o samba atravessa os quintais, tem a sabença do povo e zanza os olhos, de alegria
Escrito por mario cezar às 10h40
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stan getz
é que suas melodias despertam o bando de lobos famintos que cada um de nós esconde na alma. o hálito delas afunda na neve tão espessa, branca e linda que você tem a impressão de que poderia cortá-la com uma faca. é isso que a música de stan getz nos permite contemplar: a crueldade fatídica oculta nas selvas impenetráveis de nossas almas
haruki murakami
Escrito por mario cezar às 18h47
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tutti
alumiar com a experiência da flor
Escrito por mario cezar às 18h31
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de lonjuras
teu sexo manga carnuda.
tão distante. sou incompleto
Escrito por mario cezar às 19h34
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perdão
, meu abraço é feito de migalhas
Escrito por mario cezar às 11h26
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aqui, em arregalos, para espiar "ensaio sobre a cegueira". antes de, o livro de saramago traduz farrapos. o corte é na alma de cada. livro-estocada. porque o exílio é dentro. nas funduras onde não alcanço. qual amargor, reluz sem o meu consentimento
...para ver o galope que amou minha turbulência . pablo neruda
Escrito por mario cezar às 14h45
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vôo onde ninguém mais - vivo em luz mínima orides fontela
, mas o peito fica durante muito tempo doente por causa do lento veneno goethe
primeiro é preciso transformar a vida, para cantá-la - em seguida maiakóvski
Escrito por mario cezar às 17h31
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bendita a sede por congregar-nos em torno da fonte. orides fontela
atravessar o dia. e o atalho? o dente, pontudo, espreita a indecisão dos seios.
Escrito por mario cezar às 22h16
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vagido
a palavra, ainda crua
,rumor de sal entalado.
Escrito por mario cezar às 22h30
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arribaçã
inté
Escrito por mario cezar às 21h56
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quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, convence-se de que os mortais não conseguem guardar segredo. se os lábios estão mudos, eles tagarelam com as pontas dos dedos; a traição força seu caminho por todos os poros freud
temporada de férias:
hiroshima meu amor alain resnais sonata de outono ingmar bergman amarcord federico felini morte em venza luchino visconti amantes constantes philippe garrel edifício master eduardo coutinho
Escrito por mario cezar às 22h23
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pelas frestas da porta, o sol alumia o cacto, robusto .espinhento. no centro da sala, a rede de renda chama o corpo para expurgar o asfalto, preguento. na prateleira, de imbuia, a vida torna-se clarão. é a própria aurora dependurada. sou grato. afinal, ardo e me lanço em direção ao "clube da esquina" onde milton nascimento diz que o amor é um pássaro, em colisão.
Escrito por mario cezar às 14h04
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cada qual rume, com fé, pense onde se fixar e não caia estando em pé
goethe
Escrito por mario cezar às 21h47
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